18.10.17

Imaginação

Jamais permitirei que me vejas enquanto escrevo. Mostrar-te o atabalhoado fluxo de palavras, as rasuras, os erros, todo o lixo de que me livro, seria o mesmo que autorizar-te a assistir à minha higiene diária, ao corpo na desarrumação do sono, à ridícula pose de cortar as unhas dos pés, ao doloroso afilar de uma sobrancelha, aos cabelos a morrerem na escova. O que sobraria para ti de sonho e imaginação quando me encontrasses pronta e, por acaso, ao mover-me, um botão da camisa se soltasse?