13.10.17

Esperança na ressurreição

De tanto as ouvir, compreendo essas mulheres que um dia acordam estranhando o homem que dorme ao seu lado. Nem todas, como Mena, o enxotaram da cama a sangue-frio, temendo os bolores e os maus cheiros que um amor defunto espalha pela casa. A maioria delas, tendo sido religiosamente educada para a soberania da morte, aceitou a responsabilidade de cuidar do cadáver, maquilhou a sua face ausente e descorada, remendou-lhe as chagas com perdões diários e deixou que os anos passassem, com a esperança na ressurreição. A si mesmas e aos outros, vão dizendo desse amor o que sempre se diz dos mortos: grande, virtuoso e eterno.