21.8.17

Clausura

Quase meia-noite. Deitada no jardim do claustro, olho para o céu e pergunto-me porque pairamos assim, no infinito, neste assombroso mistério, neste equilíbrio perfeito, nesta beleza, neste espanto e, contudo, somos biliões com os pés puxados para o centro de uma única Terra, grão de areia, coisa nenhuma, tão exíguo o espaço, tão vaga a origem, tão dúbio o futuro, e, num só par de dias, toda esta fome, esta fúria, estas facas, este fogo. Onde fica a porta de saída do quarto escuro em que Deus abandonou a humanidade para se ir ocupar da expansão do Seu universo?