28.3.17

Branco

Bastou dizer-te que gostava do branco e logo me apareceste com flores brancas, lenços brancos, uma caixa de bombons de chocolate branco. Vestiste camisa branca, mostraste-me os dentes brancos, confessaste que também tinhas páginas em branco. Depois vinho branco, arroz branco, carne branca, couve branca. Hei de ter cabelos brancos, ainda disseste, como se eu precisasse da tua velhice para alguma coisa. E a morte, lembraste, traz a visão de uma luz branca. Para me agradares, tudo de uma assentada. Até me faltar o ar e, de tudo ser tão branco, acabei por desejar o verde mas não te disse, com medo que viesses logo plantar um jardim na minha casa.